Pedro Bandeira
O mais interessante dessa palestra foi perceber que o autor não só escreve histórias infantis, mas também sabe conversar com o seu público-leitor. As crianças – a maioria da região – dominaram o Theatro Pedro II e, ao abrirem espaço para perguntas, nunca vi tantas crianças erguendo as mãos e interessadas no que um escritor – um ídolo naquele momento – havia para dizer.
Luiz Puntel e Pedro Bandeira
Para ilustrar, publico um vídeo da resposta de Pedro Bandeira à pergunta de uma menininha de não mais de 6 anos. Ela quis saber: “o que é preciso para ser um bom escritor?” Vejam o que ele respondeu.
Se Tezza foi sucinto nas respostas às minhas perguntas por email, no evento, Tezza contou várias estórias, mas pouco falou sobre “O filho eterno” – talvez porque não tenha surgido uma pergunta sobre o livro. Pareceu-me haver certo interesse de todos ali presentes em mostrarem-se conhecedores de outras obras do autor, além do grande sucesso de vendas e de críticas.
O escritor falou sobre ter uma profissão – a de professor, no seu caso – para sobreviver e poder, enfim, viver de literatura. Segundo ele, “o escritor não é uma função como médico, advogado, encanador. (...) São figuras errantes, fora do sistema. Está pronto, quando está pronto, mas, até ele chegar lá, até ele ter essa pegada de dizer “é isso que eu quero fazer”, ele tem que sobreviver de alguma forma”.
Falou também sobre “Trapo”, seu primeiro livro, e comentou a engraçada estória envolvendo Paulo Leminski, autor do posfácio deste volume. Contou sobre um incidente desagradável envolvendo seu livro “Aventuras Provisórias”, em Santa Catarina e revelou de onde vem sua inspiração.
Cristovão Tezza
Surgiu ainda uma citação sobre algo que eu havia lhe perguntado: o fato de estar fora do eixo Rio-São Paulo e – talvez para não sair com a sensação de não ter falado de sua principal obra - comentou brevemente sobre sua necessidade de escrever “sobre o fato mais importante de sua vida, que foi ter um filho com Síndrome de Down”, afirmou.
A experiência de acompanhar duas palestras seguidas sobre assuntos diferentes, com escritores diferentes, me mostrou ser verdadeira a tese que quase todo professor de jornalismo nos ensina: talvez, a pergunta que parece ser a mais óbvia, se torna a mais reveladora. Com as crianças, surgiram perguntas simples, por vezes óbvias, que se mostraram interessantes; os adultos, fugindo do grande-tema, tentaram relacionar o Tezza a personagens de outros livros (embora sejam evidentes e, de certa forma, comprovadas as semelhanças com o pai de “O filho eterno”), além de criarem perguntas relacionadas à sua profissão de professor universitário.
Para finalizar, preparei um pequeno áudio de 3min50seg com a história divertida de Leminski e Tezza sobre o posfácio de “Trapo”. Divirtam-se e até a próxima.
Momento tiete: pegando autógrafo do autor.
Gabi, adorei suas "impressões" da Feira do Livro de Ribeirão. Realmente é muito legal esse incentivo para as crianças.
ResponderExcluirSobre o Tezza não tivemos grandes discussões de "O filho eterno", né? (Pra variar). Mas é bom ouvir sobre as outras obras dele também.
Agora, a história do Paulo Leminski é muito boa!! Um posfácio ruim é algo inédito mesmo! hahaha