sábado, 11 de julho de 2009

Entrevista - Cristovão Tezza

Cristovão Tezza tem sido freqüentemente convidado para diversos eventos sobre literatura. O escritor catarinense ganhou notoriedade ano passado por seu livro “O filho eterno”, vencedor de cinco prêmios: Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), Portugal-Telecom, Jabuti, Bravo! e São Paulo de Literatura.

Recentemente o autor esteve presente na 9ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto e, antes de encontrá-lo na palestra, realizei por email uma interessante entrevista com Tezza, que se mostrou bastante simpático e disponível.


Foto: Divulgação


Quando e por que o senhor começou a escrever?
Cristovão Tezza: Comecei a escrever nos meus 13, 14 anos - não sei exatamente por quê. Essa é uma pergunta muito difícil para um escritor. Escrever é uma espécie de resposta ao mundo - mas nisso cabe um pouco de tudo.

Quais são suas principais referências na literatura?
CT: As referências foram se fazendo ao longo da vida. No Brasil, Machado, Graciliano e Drummond; lá fora, Dostoiévski, Conrad, Camus, Coetzee. Para ficar em algumas poucas (mas fortes) referências.

Por que o senhor resolveu escrever "O filho eterno"?
CT: Não queria passar a minha vida sem escrever sobre o fato mais impactante da minha vida: o nascimento de um filho especial. De uns anos para cá, comecei a sentir a urgência de enfrentar esse tema terrivelmente difícil.

Antes de "O filho eterno" o senhor já havia escrito outros livros também premiados. Por que o senhor acha que somente com "O filho eterno" ganhou tamanha notoriedade?
CT: A notoriedade é um processo cumulativo, digamos assim. Eu já era bastante conhecido nos meios literários. O sucesso do último livro encontrou o caminho já pavimentado para aparecer bastante.

O senhor acredita que a demora no reconhecimento da sua produção literária se deve ao fato de o senhor estar fora do eixo Rio-SP, como chega a sugerir o "pai" de "O filho eterno"?
CT: Num certo momento, sim. Ao longo dos anos 80 e 90 estar fora do eixo conspirava contra qualquer escritor. Mas a era da internet mudou radicalmente essa “maldição”.

A escolha em fazer uso de um narrador em terceira pessoa fez parte de uma estratégia para criar distanciamento daquela narrativa, como chegaram a sugerir alguns críticos?
CT: Sim. O narrador em terceira pessoa foi a chave para eu conseguir enfrentar o tema. Continuei próximo de mim mesmo, mas visto de longe, o que muda tudo.

"Condenável no cotidiano, a crueldade pode ser uma virtude literária. Ela é a grande qualidade de 'O filho eterno'". Jerônimo Teixeira, da Veja. Este excerto está na contracapa do livro. O senhor acha que o que está em jogo na relação entre o pai e o filho da história é a crueldade? Como o senhor a definiria?
CT: Toda relação humana tem uma dose de violência, crueldade, incompreensão e impossibilidade. Em torno dessa aura gira a boa literatura - tentar decifrar a difícil convivência entre os homens. No caso de “O filho eterno”, a crueldade é apenas um dos aspectos, em alguns momentos, mas um aspecto bastante intenso. Mas eu não definiria o livro por esse viés.

Como seus parentes e as pessoas próximas ao senhor encararam o livro?
CT: Todo mundo gostou muito. Eu só o escrevi porque o meu filho não tem a abstração da leitura (o que é outro eixo do livro). Claro que se ele lesse, tivesse linguagem sofisticada o suficiente para compreender as implicações da narrativa, eu seria outra pessoa e o livro seria outro, completamente diferente.

Num próximo post, eu conto sobre a feira, publico fotos do evento e trago um “extra” pra complementar a matéria.

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