É inegável que a cobertura da FLIP deste ano está fantástica. Com certeza é a cobertura mais “multimídia” da festa, que já está na sua sétima edição. Primeiro o blog e o site que nos trouxeram, em primeira mão, desde o inicio do ano, as informações da programação. A cada convidado confirmado um novo post e, é claro, a cada cancelamento a informação de quem seria o substituto. Porém, outro advento da internet que “estourou” esse ano não podia faltar na cobertura da Festa Literária: o twitter. Uma ferramenta que permitiu uma nova forma de divulgação do evento. Seus “seguidores” podem saber de maneira rápida e enxuta – principal característica do micro blog – notícias diretamente da FLIP.
Mas as novidades da cobertura de 2009 não param por aí. O que me deixou mais animada - e menos triste por não estar na festa - foi que todas as mesas seriam transmitidas ao vivo pelo portal G1 e pelo próprio site da FLIP.
Acabo de ver a mesa 9 cujo tema foi “o eu profundo e o outros eus”. Participaram da conversa o escritor mexicano Mario Bellatin - considerado um dos principais escritores latino-americanos contemporâneos e que chamou a atenção da crítica com a publicação de Flores (2001) - e o escritor catarinense Cristovão Tezza.
Tezza foi reconhecido pelo público e ovacionado pela crítica em 2007 com o lançamento de O filho eterno, romance baseado na relação com um de seus filhos portador de Síndrome de Down. A obra recebeu os prêmios Portugal Telecom, Bravo!, Jabuti de 2008, APCA 2007, Prêmio São Paulo de literatura, foi publicado na Itália e será traduzido para inglês, francês e espanhol.
O filho eterno foi uma das obras que li e, por isso, estava muito ansiosa para assistir uma mesa com um autor que “conheço” e que falaria, pelo menos um pouco, de um livro que discutimos
O papo continuou e o autor não falou muito do seu premiado livro. Fato explicado talvez pelo tema da mesa que era “o eu profundo e outros eus” e não “o filho eterno”. Mas quem já leu o livro sabe que é possível identificar semelhanças entre a obra e o tema proposto. O filho eterno é um romance considerado extremamente autobiográfico, portanto o “profundo eu” do autor.
Tezza afirmou em entrevistas que começou a escrever o livro em primeira pessoa, mas a escrita só decolou mesmo quando mudou a narrativa para a terceira pessoa. Ainda nesse assunto, foi questionado sobre até que ponto a experiência pessoal é importante na ficção. Sua resposta mostrou que ainda é muito difícil a mistura da ficção com a realidade. “Levei 20 anos para escrever sobre esse tema. Problema pessoal não é literatura, o problema teve que desaparecer da minha vida para surgir a obra.” Disse também que teve que se afastar para conseguir escrever: “Só consegui escrever quando criei o personagem narrador que não era mais o Cristovão.”
Entre os duradouros – e interessantes – relatos de Bellatin, Tezza falou que só “sentiu” diretamente os leitores quando começou a escrever crônicas em um jornal de Curitiba. “O ato de escrever para uma coluna de jornal pressupõe uma responsabilidade que não existe quando você escreve livros”, afirmou Tezza. Ele explica que no jornal você tem regras como tamanho do texto e determinados temas, além de um retorno direto dos leitores através de e-mails. Ao escrever um livro, não se tem esse retorno imediato, sem contar que o tema é escolhido pelo autor “escrevo um livro que eu gostaria de ler”, comentou.
Ambos os convidados deram relatos interessantes, foi mais uma mesa agradável e gostosa de assistir. Porém, senti falta do convidado falar mais sobre seus livros, em especial o tão comentado O filho eterno.
Belle, passei pela mesma situação na Feira do Livro de Ribeirão Preto e pretendo descrevê-la em breve aqui no blog.
ResponderExcluirFato é que, nas palavras de Maria Rita "Talvez, eles agora não falem de O filho eterno porque precisam sugerir que são conhecedores dos livros do Tezza muito antes desse "fenômeno de mercado" - mistérios da vida literária".
Muito bom seu post.
Pois é,e eu super empolgada achando que ele falaria muito de "O filho eterno"...
ResponderExcluir"Mistérios da vida literária".
Belle, gostei muito-muito de seu texto. Ando meio ausente do blog porque estou finalizando minha tese, mas, assim que me livrar dela, escrevo uma mensagem mais detalhada sobre seu ótimo post.
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